Em um setor em que a indústria é a céu aberto, os seguros são a proteção para o imprevisto.
Ainda que enorme potência na economia brasileira, o agronegócio, por essência, é um ramo sujeito às intempéries das mais variadas. Por mais que as tecnologias avancem e os conhecimentos climáticos sejam cada vez mais refinados, o ramo, como um todo, é sujeito a desastres naturais que podem afetar o resultado de toda uma colheita. Da mesma forma, políticas externas, a exemplo do turbulento tarifaço exercido pelo presidente estadunidense Donald Trump, também são elementos intangíveis que podem interferir na rentabilidade da exportação dos produtos e no balanço financeiro do mercado. Tendo em vista esse cenário, e os enormes montantes financeiros que circulam nesse setor, cabe a pergunta: não seria o seguro agrícola que leva em consideração a margem da colheita uma garantia para os credores de grandes somas frente a esses riscos?
Apenas para colocar em perspectiva, conforme dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o crédito rural programado pelo governo é estipulado em R$ 364 bilhões. O Banco do Brasil, por si só, superou agora em 2025 a marca de R$ 400 bilhões de crédito no setor agrícola. Isso para não citar as inúmeras empresas do mercado privado de crédito presentes nesse cenário.
Mas como entra o seguro agrícola nesta equação? O seguro pode vir a ser uma ferramenta de proteção ao credor contra a inadimplência do produtor. Isso porque o seguro de margem garante o recebimento de até 10% sobre a média da margem colhida pelo produtor, considerando-se a saca por hectare. Esta modalidade do seguro agrícola permite uma avaliação individualizada dos riscos, monitoramento dos dados dos clientes e até mesmo serviço de gestão de resultado da produção, com a companhia seguradora funcionando como mitigadora do risco e exercendo a função de proteção para quem concede o crédito ao produtor.
Num mercado que lida com cifras altas, como é o caso do agronegócio no Brasil, os riscos de inadimplência acabam tendo consequências financeiras dramáticas. Ainda que as empresas de crédito possuam alta estabilidade financeira e recursos elevados – pois essa é a natureza do seu serviço –, não deixa de ser uma aposta arriscada.
O seguro agrícola na modalidade de margem se põe ao produtor como uma garantia de estabilidade não apenas contra a inadimplência direta, mas contra uma série de intempéries, sejam climáticas ou mercadológicas, que podem desencadear impactos em cadeia nesse ecossistema econômico, atingindo inclusive os credores.
Autor: Gaya Lehn Schneider Paulino • email: gaya@ernestoborges.com.br • Tel.: +55 67 3389 0123